terça-feira, 19 de novembro de 2013

Bandas Novas: We Are US



Ta aí uma das coisas mais legais do mundo musical underground. Quando menos se espera a gente se depara com uma banda boa dando seus primeiros passos, e claro, sempre torce para que deslanche e consiga ser reconhecida. 

A banda de hoje é praticamente um embrião. Recém surgida no mundo online e aparecendo para os meios virtuais há menos de dois meses, We Are US possui poucos likes em sua fanpage e apenas três músicas lançadas (e que podem ser ouvidas logo abaixo) além de apenas uma foto de divulgação (esta logo acima). De origem italiana, a banda na verdade é um duo, formado por Silvio Pasqualini (voz, baixo e guitarra) e Maddalena Zavatta (voz e guitarra), que se rotulam como um "duo italiano de punk/indie". 

Com a audição das faixas do EP, intitulado And This Is You, o que percebemos é uma mistura que parece um Indie Pop garageiro, o que se dá muito em virtude do vocal levemente Pop de Maddalena que se junta com os riffs rasgados das guitarras de Pasqualini. O  resultado é bem interessante e indicado para fãs de Dum Dum Girls e Vivian Girls.

Dolce, forte e bello!

Ouça abaixo o EP e fique de olho nessa dupla que promete fazer sucesso para além da terra da bota:


terça-feira, 12 de novembro de 2013

Vivemos alguma cena?



Hoje em dia tudo é "globalizado", "multifaces" e "integrado". E muito disso é dito com relação ao mundo musical atual, que desde os anos 2000 é colocado como uma cena formada por todas as outras que já apareceram. 

Mas será que isso é verdade? Ou será que esse "tudo" resulta num nada, em algo que por ser de tudo um pouco acaba resultando em algo sem identidade, vazio e nulo?

Faça um exercício. Mentalize uma década e pense quem quais expressões artísticas ilustravam-na. Por exemplo, anos 60 tínhamos o movimento hippie, a Pop Art e a psicodelia. Nos anos 50 tínhamos o Expressionismo Abstrato, o Concretismo e o Rockabilly. Tais são ícones que marcaram e fizeram o plano de fundo dessas décadas e da geração que as viveram. Entretanto, se pensarmos nos anos 2000 as associações não são imediatas, ou nos remetem à coisas passadas e já vividas.

Se cairmos para o lado da música podemos observar isso ainda mais facilmente. Do início dos anos 2000 para cá, surgiram bandas que foram tidas como representantes dessa nova geração, mas que na verdade estavam num movimento de resgate de cultura e não numa nova proposta. São os revivals, como o do Post-Punk com bandas como Interpol, The National e White Lies; do Rock Psicodélico, com of Montreal, Tame Impala e Pond; da Disco Music, com Breakbot, Cut Copy e Flight Facilities , entre outros revivais. 

Porém, alguns irão dizer: "Ah, mas e o Indie Rock?" Pois bem, o "Indie" não é de hoje, e nem o de hoje. O termo "indie" vem de "independent", ou seja, de bandas que lançaram de maneira independente seu material, sem precisar ter vínculo com as grandes gravadoras, que oprimiam o processo criativo dos artistas. Tais bandas, princialmente dos Reino Unido,  acabaram por fazer um som relativamente parecido em sua época - do meio para o final dos anos 80 - e então ficaram conhecidas como Indie Rock e Indie Pop. Desse modo, o que temos hoje não é (com algumas exceções) Indie no sentido de independente, visto que muitas bandas são assinadas com gravadoras como Warner, Sony, Universal, RCA, entre outras.

Ok, estou sendo chato demais me apegando ao termo indie como independente. Concordo, mas o som também não é nem um pouco novo, visto que se espelham em artistas daquela época, como The Smiths, The Pastels, Primal Scream entre outras.  Para saber mais sobre essa história toda de independência ,veja esse post de alguns meses atrás.

Dizer que a música está estagnada é um total erro. O que podemos dizer é que ela não está mais icônica como já foi anteriormente e que se transformara em um retrato de uma geração. Hoje temos o plural, algo meio sem rosto, ou melhor, um rosto com partes de outros rostos. Entretanto, o paradoxal  é que mesmo com um resultado misto, vindo de fusões de estilos e tendências artísticas, o que gera algo como uma colcha de retalhos e que poderia não simbolizar uma geração una, temos hoje uma juventude multifacetada, que veste, ouve, consome e produz diferentes materiais e de diferentes origens históricas culturais.

Dito tudo isso, o que podemos perceber é que esse novo modelo artístico/cultural esquizofrênico, ironicamente acaba se tornando um ícone da juventude atual, que se comporta do mesmo jeito, e tende a cada vez mais agregar fragmentos de todos os cantos e gostos para compor a si mesma. Isso é ruim? Isso é bom? Acredito que nem um nem outro, apenas algo que tende a ser um novo modelo de consumo de mídia e de cultura, e querendo ou não, os revivais acabam trazendo muitas coisas boas, e sempre temos uns nichos produzindo novidades (como Glitch Music, Witch House e Vaporwave).

Ou seja, não, não vivemos uma cena única. Alguns nichos acabam vivendo exclusivamente sua cena, mas no geral, vivemos fragmentos de várias cenas passadas e temos novas produções inovativas e criativas. E o resultado de tudo isso são boas bandas bebendo do melhor do passado e sabendo reescrever tais modelos, e outras, de maneira criativa, criando estilos interessantes. Seria interessante termos um cena icônica, mas visto as boas produções,  até que não há um mal em que continuarmos assim. 

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Blood Orange disponibiliza novo disco para stream



Final de tarde, hora de relaxar. Que tal um bom Chillwave (se é que ainda existe esse estilo) com toque de R&B? É isso que nos traz Dev Hynes, ou Blood Orange, em mais um belo disco. 

O músico disponibilizou seu segundo álbum, intitulado Cupid Deluxe - que tem como data de lançamento 18 de Novembro - em um vídeo com imagens de vários pontos de Nova Iorque, como a ilha de Manhatan, a estátua da Liberdade, Times Saqure, entre outras. O disco conta com participações, como Samantha Urbani, vocalista da banda Friends, e David Longstreth do Dirty Projectors.

Dê o play e aprecie:


Los Campesinos! - No Blues



Atenção: É capaz de você se viciar nesse disco. Use com (leia: sem) moderação. 

No Blues, novo disco do sexteto galês Los Campesinos!, pode gerar alguns levantares de sobrancelhas em seus fãs antigos ou a quem só conhece as músicas de seus três primeiros álbuns. 
Se no começo de carreira a banda tinha um som característico de pista, algo dançante, com presença de sintetizadores e guitarras mais animadinhas e linhas de baixo com uma presença Pop, o que vemos nesse novo trabalho é uma continuação do que se ouviu em Hello Sadness, de 2011. 

Continuação essa que está ainda melhor produzida e com um toque de Twee (aquele estilo meigo e fofo que bandas como I'm From Barcelona e The Pastels costumam fazer) que resulta em canções mais delicadas e de fácil audição, e que tem como exemplo Glue Me, Let Spill e a ótima Cemetery Gaits

Na "seção" das faixas mais animadas - e que podem ser as que mais se aproximam do som antigo da banda - temos o single Avocado, baby As Lucerne / The Low, que se apresentam mais agitadas - em comparação às demais do álbum - mas mesmo assim, com a cara doce que o grupo transparece pela obra toda. 

Por falar em obra toda, esse é um detalhe importante. A obra funciona como um todo, o que reforça a boa produção e resulta em uma execução prazerosa para ouvinte. 

Enfim, No Blues é uma boa opção para deixar em seu iPod quando quiser ouvir um disco alegre mas que não enjoe pelo excesso de açúcar ou de letras bobas. 


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Cut Copy - Free Your Mind



Clima Dance-brega  pelos céus da Austrália. 

O Cut Copy está com disco novo - Free Your Mind - e nele traz uma nova cara para o som que já conhecemos de outros trabalhos. Se antes a banda fazia sons que nos remetiam à era de ouro das discotecas, agora apostaram em dar uma roupagem mais atual. 

A aposta fica com elementos do que alguns vem chamando de Vaporwave, um estilo que brinca com elementos até certo ponto forçadamente cafonas esteticamente, com boa quantidade de samples de infomerciais, filmes e documentários dos anos 90 enquanto o som fica por conta de uma mistura Dance/Disco/Electropop. 

Em Free Your Mind a receita é essa mas sem passar do ponto. As faixas ainda apresentam aquela bateria marcante com o suingue dos graves que conhecemos, principalmente de Bright Like Neon Love, entretanto apresenta  quatro interlúdios com essa cara Vaporwave. 

No geral, Cut Copy soube inovar sem perder sua cara e ainda se mostrou estar atento ao que acontece de novo na cena musical, principalmente uma tão próxima a eles. 




segunda-feira, 28 de outubro de 2013

The xx e Yuck @ POPLOAD Festival 2013





Mesmo com ingressos salgados e numa casa nem um pouco acessível de transporte público, até que a noite de sábado reuniu um bom número de pessoas no HSBC Brasil par ao POPLOAD Festival 2013, que contava com Yuck e The xx como os principais nomes.

Confesso que assisti apenas os shows desses dois grupos citados. E isso já é um ponto a se enxergar como uma possível falha do lineup. Colocar duas apresentações menores após as duas maios esperadas da noite foi pedir para que a casa se esvaziasse após o show do The xx (que foi o que aconteceu). Aldo e o gordinho simpático do Hot Chip, Joe Goddard, tiveram pouco público (assim como SILVA que tocou mais cedo), que preferiu emendar uma balada ou simplesmente ir embora (para os que tinham carro). Podemos entender como uma maneira de o público conseguir ir embora de transporte público até seu fechamento (1h da manhã), mas a distância até a estação de trem mais próxima não era muito rápida de se chegar, e com o show terminando cerca de 0h20, seria bem corrido. 

Enfim, sobre os shows:

Yuck 




De maneira tímida, como já observado em outro shows da banda por aí afora era hora de ver como o se sairia o Yuck em nova formação. Após a saída do frontman Daniel Blumberg a banda começou a passar por sua reformulação, inserindo um novo guitarrista, Ed Hayes, e adaptando as músicas antigas nos vocais. 

Em um show curto - com menos de uma hora de duração - a banda apresentou três músicas do novo álbum - Rebirth, Middle Sea e Lost My Breath. As demais do setlist ficaram a cargo de Age of Consent -um cover New Order - e de composições do disco de estreia, com Get Away, Holing Out, Georgia, Operation e The Wall - está com os vocais ficando para Mariko, fazendo as vezes de Blumberg, o que Max vem fazendo para as demais músicas do primeiro álbum. 

Infelizmente alguns pontos prejudicaram o show. O primeiro deles foi uma questão técnica, já que o som estava muito baixo, principalmente da guitarra de Max Bloom. Outro ponto, foram as pouquíssimas pessoas da plateia que estavam lá para o show do Yuck, o que fez com que a apresentação perdesse um pouco de energia. Para os fãs da banda, apesar da curta duração, o show até que valeu a pena (mas não justificando o alto valor do ingresso). Deu para cantar junto e sentir como a banda está se portando com sua nova formação. Tudo vai caminhando bem para o novo quarteto. 


The xx


Antes de falar do show em si do The xx, falava-se que haveria um grande show de luzes (o que de de fato teve) e que sera esse o principal responsável pelo alto valor do ingresso. Bom, como opinião particular, acredito que não seja algo que o público - se soubesse- escolheria em torca de pagar o alto valor. 

Apesar de pouco tempo de estrada, e de um certo boom recente, o The xx surpreendentemente tem muitos fãs, como foi percebido na noite de sábado. Porém, essa massa parece ter confundido algumas coisas e não soube muito bem como é a experiência de um show de uma banda nos moldes do The xx, ou seja, algo mais etéreo e introspectivo. 

Shows como esse são mais para se sentir, mais de atmosfera. A iluminação, o clima gerado pelos vocais de Romy e Oliver e o gingado dos mesmos faziam do show uma oportunidade de vivenciar aquele momento de ouvir um disco do trio deitado e com headphone em uma experiência ainda maior. 

Entretanto, mais parecia estar num show de uma banda Indie dançante, como Two Door Cinema Club, Phoenix e derivados. O público gritava histericamente a cada início e fim de música, acompanhava com palmas, cantava/gritava alto as letras e dançava como se estivesse numa pista de balada. Tal fato com certeza tirou muito da experiência que a banda poderia passar para o público e assim podendo expandir o que fica sempre limitado para um grupo que é apenas ouvi-lo em versão estúdio. 

Sobre as execuções, foram muito fiéis aos álbuns - de uma maneira positiva - e sabendo distribuir bem o setlist entre os dois discos, deixando oito para cada álbum. ao final, a banda voltou para um bis, onde tocou um dos maiores hits, Intro e fechou com Angels, outra boa faixa.



No apanhado geral, a noite teve shows interessantes, mas que faltou, ou sobrou, energia da plateia, o que influenciou na experiência dos mais chatos (como eu).



terça-feira, 8 de outubro de 2013

Bandas Novas: TucA



Curioso, esse é o título do disco de estreia de TucA, banda mineira que aposta em um "Pop Experimental" como é rotulado pela própria. Trazendo boa carga de graves com o contrabaixo, a dose Pop Rock deixa o comum e mais do mesmo de de lado por trabalhar melodias mais densas e maduras. Além disso, as faixas possuem um toque em especial dado pelo uso de samples de vozes retirados provavelmente de filmes ou derivados que dão uma espécie de narrativa não direta para a obra. 

O resultado acaba sendo interessante e de boa audição. O que só melhora com o belo clipe feito por Leronardo Cata Preta para a faixa Da Tripa, Coração. O vídeo é uma animação que trabalha com cena do cotidiano misturada com inserções gráficas surrealistas e experimentais, o que orna muito bem com a obra da banda. 

Confira abaixo o videoclipe e o disco na íntegra em stream no Soundlcoud oficial da banda ou baixe gratuitamente.