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terça-feira, 5 de novembro de 2013

Los Campesinos! - No Blues



Atenção: É capaz de você se viciar nesse disco. Use com (leia: sem) moderação. 

No Blues, novo disco do sexteto galês Los Campesinos!, pode gerar alguns levantares de sobrancelhas em seus fãs antigos ou a quem só conhece as músicas de seus três primeiros álbuns. 
Se no começo de carreira a banda tinha um som característico de pista, algo dançante, com presença de sintetizadores e guitarras mais animadinhas e linhas de baixo com uma presença Pop, o que vemos nesse novo trabalho é uma continuação do que se ouviu em Hello Sadness, de 2011. 

Continuação essa que está ainda melhor produzida e com um toque de Twee (aquele estilo meigo e fofo que bandas como I'm From Barcelona e The Pastels costumam fazer) que resulta em canções mais delicadas e de fácil audição, e que tem como exemplo Glue Me, Let Spill e a ótima Cemetery Gaits

Na "seção" das faixas mais animadas - e que podem ser as que mais se aproximam do som antigo da banda - temos o single Avocado, baby As Lucerne / The Low, que se apresentam mais agitadas - em comparação às demais do álbum - mas mesmo assim, com a cara doce que o grupo transparece pela obra toda. 

Por falar em obra toda, esse é um detalhe importante. A obra funciona como um todo, o que reforça a boa produção e resulta em uma execução prazerosa para ouvinte. 

Enfim, No Blues é uma boa opção para deixar em seu iPod quando quiser ouvir um disco alegre mas que não enjoe pelo excesso de açúcar ou de letras bobas. 


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Cut Copy - Free Your Mind



Clima Dance-brega  pelos céus da Austrália. 

O Cut Copy está com disco novo - Free Your Mind - e nele traz uma nova cara para o som que já conhecemos de outros trabalhos. Se antes a banda fazia sons que nos remetiam à era de ouro das discotecas, agora apostaram em dar uma roupagem mais atual. 

A aposta fica com elementos do que alguns vem chamando de Vaporwave, um estilo que brinca com elementos até certo ponto forçadamente cafonas esteticamente, com boa quantidade de samples de infomerciais, filmes e documentários dos anos 90 enquanto o som fica por conta de uma mistura Dance/Disco/Electropop. 

Em Free Your Mind a receita é essa mas sem passar do ponto. As faixas ainda apresentam aquela bateria marcante com o suingue dos graves que conhecemos, principalmente de Bright Like Neon Love, entretanto apresenta  quatro interlúdios com essa cara Vaporwave. 

No geral, Cut Copy soube inovar sem perder sua cara e ainda se mostrou estar atento ao que acontece de novo na cena musical, principalmente uma tão próxima a eles. 




segunda-feira, 28 de outubro de 2013

The xx e Yuck @ POPLOAD Festival 2013





Mesmo com ingressos salgados e numa casa nem um pouco acessível de transporte público, até que a noite de sábado reuniu um bom número de pessoas no HSBC Brasil par ao POPLOAD Festival 2013, que contava com Yuck e The xx como os principais nomes.

Confesso que assisti apenas os shows desses dois grupos citados. E isso já é um ponto a se enxergar como uma possível falha do lineup. Colocar duas apresentações menores após as duas maios esperadas da noite foi pedir para que a casa se esvaziasse após o show do The xx (que foi o que aconteceu). Aldo e o gordinho simpático do Hot Chip, Joe Goddard, tiveram pouco público (assim como SILVA que tocou mais cedo), que preferiu emendar uma balada ou simplesmente ir embora (para os que tinham carro). Podemos entender como uma maneira de o público conseguir ir embora de transporte público até seu fechamento (1h da manhã), mas a distância até a estação de trem mais próxima não era muito rápida de se chegar, e com o show terminando cerca de 0h20, seria bem corrido. 

Enfim, sobre os shows:

Yuck 




De maneira tímida, como já observado em outro shows da banda por aí afora era hora de ver como o se sairia o Yuck em nova formação. Após a saída do frontman Daniel Blumberg a banda começou a passar por sua reformulação, inserindo um novo guitarrista, Ed Hayes, e adaptando as músicas antigas nos vocais. 

Em um show curto - com menos de uma hora de duração - a banda apresentou três músicas do novo álbum - Rebirth, Middle Sea e Lost My Breath. As demais do setlist ficaram a cargo de Age of Consent -um cover New Order - e de composições do disco de estreia, com Get Away, Holing Out, Georgia, Operation e The Wall - está com os vocais ficando para Mariko, fazendo as vezes de Blumberg, o que Max vem fazendo para as demais músicas do primeiro álbum. 

Infelizmente alguns pontos prejudicaram o show. O primeiro deles foi uma questão técnica, já que o som estava muito baixo, principalmente da guitarra de Max Bloom. Outro ponto, foram as pouquíssimas pessoas da plateia que estavam lá para o show do Yuck, o que fez com que a apresentação perdesse um pouco de energia. Para os fãs da banda, apesar da curta duração, o show até que valeu a pena (mas não justificando o alto valor do ingresso). Deu para cantar junto e sentir como a banda está se portando com sua nova formação. Tudo vai caminhando bem para o novo quarteto. 


The xx


Antes de falar do show em si do The xx, falava-se que haveria um grande show de luzes (o que de de fato teve) e que sera esse o principal responsável pelo alto valor do ingresso. Bom, como opinião particular, acredito que não seja algo que o público - se soubesse- escolheria em torca de pagar o alto valor. 

Apesar de pouco tempo de estrada, e de um certo boom recente, o The xx surpreendentemente tem muitos fãs, como foi percebido na noite de sábado. Porém, essa massa parece ter confundido algumas coisas e não soube muito bem como é a experiência de um show de uma banda nos moldes do The xx, ou seja, algo mais etéreo e introspectivo. 

Shows como esse são mais para se sentir, mais de atmosfera. A iluminação, o clima gerado pelos vocais de Romy e Oliver e o gingado dos mesmos faziam do show uma oportunidade de vivenciar aquele momento de ouvir um disco do trio deitado e com headphone em uma experiência ainda maior. 

Entretanto, mais parecia estar num show de uma banda Indie dançante, como Two Door Cinema Club, Phoenix e derivados. O público gritava histericamente a cada início e fim de música, acompanhava com palmas, cantava/gritava alto as letras e dançava como se estivesse numa pista de balada. Tal fato com certeza tirou muito da experiência que a banda poderia passar para o público e assim podendo expandir o que fica sempre limitado para um grupo que é apenas ouvi-lo em versão estúdio. 

Sobre as execuções, foram muito fiéis aos álbuns - de uma maneira positiva - e sabendo distribuir bem o setlist entre os dois discos, deixando oito para cada álbum. ao final, a banda voltou para um bis, onde tocou um dos maiores hits, Intro e fechou com Angels, outra boa faixa.



No apanhado geral, a noite teve shows interessantes, mas que faltou, ou sobrou, energia da plateia, o que influenciou na experiência dos mais chatos (como eu).



domingo, 19 de maio de 2013

Resenha: The Vaccines @ Grand Metrópole - São Paulo (19/05/2013)

Foto: Fernando Galassi



Por Mariana Angelotti


Com a sua segunda vinda ao Brasil, a banda inglesa The Vaccines aqueceu a noite dos paulistanos e tirou todos do tédio da Virada Cultural, se apresentando no Grand Metrópole, no centro de São Paulo, com a produção do Club NME.  
Com um pouco de atraso, por volta das 23:20 o The Vaccines subiu ao palco com o seu mais novo hit No Hope, seguido de Wreckin’Bar (Ra Ra Ra). Mo final da música Ghost Town, o vocalista Justin Young, todo simpático, olhou para aquele público eufórico e disse: ‘’Voltamos! E somos o The Vaccines.’’ o que levou o público a mais gritos e pulos.
A banda fez um bom setlist intercalando músicas do seu primeiro álbumm What Did You Expect from The Vaccines? ,  e o seu recente álbum lançado em 2012, Come of Age.  Rolou até uma música nova, Melody Calling, que é mais puxada para o Indie, e diria até que é uma música romântica.
Com a sua segunda vinda ao Brasil, os ingleses mostraram que amadureceram e fizerem um show melhor do que o ano passado, tanto em questão de música quanto de simpatia. Acredito que todos saíram felizes e satisfeitos, e até aqueles que foram para escutar e dançar aquela tal música que toca em todas as baladas If You Wanna, na qual a banda fez questão de fazer firulas e chamar o público para pular e dançar.

Terminado o setlist, após de 5 minutos, o Vaccines voltou para tocar o encore, e jogaram algumas camisetas da banda para o público que estava na frente. Justin Young dizia muitos ‘’Obrigada”, sem nenhum sotaque gringo, e antes de terminar o show, o mesmo, que visivelmente estava muito satisfeito com a participação do público, disse: “Vocês são uma boa platéia, e vamos voltar aqui mais vezes.” o que deixou todos felizes, já que foi um belo show, e assim o encerraram com a não mais famosa Nørgaard.



Setlist:

No Hope
Wreckin' Bar (Ra Ra Ra)
Ghost Town
I Always Knew 
Wetsuit
Under Your Thumb 
Tiger Blood 
Melody Calling
All in Vain Post
Break-Up Sex 
All in White
Wolf Pack
A Lack of Understanding 
Aftershave Ocean
Blow It Up 
Bad Mood
If You Wanna 
Family Friend

Encore:
Weirdo 
Teenage Icon
Nørgaard

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Resenha: Golden Grrrls - Golden Grrrls




Confesso que num primeiro contato o nome da banda me remeteu a algo como Bikini Kill ou Dum Dum Girls com uma música de engajamento feminista de Riot Grrrl. Entretanto, ao dar o play me deparei com o som fofo e doce que Glasgow há décadas nos presenteia. Um Twee/Indie Pop que já é praticamente produto nacional da região, com seus vocais femininos e masculinos intercalados, temática interpessoal e guitarras no melhor estilo Jangle Pop. Como a referência do estilo acaba sendo a mesma, as novidades que surgem do gênero acabam na verdade se apresentando em sua maioria parecidas. Entretanto, para quem é fã do estilo isso não é problema, e sim apenas uma ampliação no portfólio de opções, e é dessa forma que o Golden Grrrls chega com seu disco de estreia. 

Formado por Ruari MacLean e Rachel Aggs nas guitarras, Eilidh Rodgers na bateria, e os três nos vocais, a banda, como dito, não traz nada de novo que os fãs e ouvintes do estilo e da cena já tenho ouvido em nomes como Talulah Gosh, The Pastels, Allo Darlin', e até em Camera Obscura e Veronica Falls; fofura aliada àquele toque sujinho charmoso que quebra a doçura na medida certa, o que nos é exemplificada logo de cara com a animada e primeira faixa New Pop

No percorrer das onze faixas o trio consegue mostrar que consegue compor bons riffs que conseguem preencher as canções, tanto no baixo como em Past Tense e Times Goes Slow, quanto na guitarra como em  Paul Simon. (Sim, é uma referência ao grande cantor e compositor que figurava dupla com seu "ex-amigo", vamos assim colocar, Art Garfunkel) e Wrld Peace. Trazendo toda a carga Pop dos vocais característicos da classe de 86 para compor esse mix, temos as ótimas Take Time e Never Said Enough que conseguem ser faixas que se articulam muito bem em melodia, se tornando de fácil identificação para os fãs do estilo mais puxado para o doce. 

Ao final, o que temos é um disco que se apresenta sem novidades, mas que cumpre bem a reprodução do som de bandas do final dos anos 80 e que se faziam presentes na região. Por ser um primeiro álbum após alguns cassetes, o que fica de análise é que o Golden Grrrls mostra ter boa influência e que, se bem trabalhado, um segundo disco pode vir melhor e trazer maior identidade ao trio.







sábado, 13 de abril de 2013

Resenha: The Outside Dog - Outros Caminhos - Parte I



É sempre bom ter um disco Folk/Folk Rock ali na nossa prateleira, para entrarmos no clima, hora dançante hora introspectivo que o o estilo tem. Numa audição, as canções caipiras, muitas vezes com toques urbanos, vão nos levando para caminhos onde nos vemos apenas seguindo em frente com nossa trouxinha de roupas e um violão nas costas. É assim que podemos ilustrar a primeira, de três partes, de Outros Caminhos, da banda paulistana The Outside Dog, que também está seguindo seus novos passos. 

Algumas, mais precisamente duas, mudanças aconteceram desde os trabalhos anteriores. A primeira mudança foi a entrada de Rafael Elfe, somando-se como o quinto elemento do grupo, e consigo trouxe uma carga mais poética às letras da banda, agregando ainda mais valor nas composições das mesmas. A segunda novidade é a mudança da língua. Se antes já nos envolvíamos com as canções em inglês, agora, em nossa língua mãe, as letras nos dão maior grau de proximidade e interação, resultando em uma experiência ainda mais próximas entre artista e ouvinte. 

Sobre o disco em si, Outro Caminhos - Parte I, chega como um compacto de quatro faixas, onde as duas primeiras puderam ser ouvidas antecipadamente pelo público que compareceu à 4ª Edição do All Folks Fest, festival o qual a The Outside Dog é a anfitriã. A primeira delas é Contramão que se incia já com destaque para gaita de Ciro, colocando o ouvinte pra dançar e bater sua bota no chão. A letra passa a mensagem de alerta, de não ser um alienado que segue a maioria, e que devemos ir sim, muitas vezes, na contramão do que nos é colocado e imposto como o - olha ele aqui mais uma vez- caminho correto. 

A segunda faixa, Dias de Chuva,  vem com temática amorosa e um refrão triste em questão de significado, mas belo na questão poética, que diz "Sem você aqui/A vida é mesmo um longo dia de chuva/E quando o sol voltar/ Espero que não seja por um dia", e é marcado por uma boa carga Pop na medida, e desse jeito a canção se mostra como uma das mais bonitas de todo o repertório da The Outside Dog.

A seguir temos um Country/Folk Rock com Esperança, que, alem dos violões, baixo, bateria e gaita, é executada com a presença de um acordeon, que fica a carga de Bruno Orefice em uma participação especial. Encerrando a obra, chega É Preciso Lutar. Faixa interessante que se inicia com uma carga blueseira mais densa, se apresentando até sua metade apenas no violão e na voz de Pedro Gama, dando a seguir um pico energético na canção e logo após retornando para o clima reflexivo que a letra, que nos fala sobre a luta que enfrentamos na nossas vidas, requisita. 

Ao final, com o som do vento ecoando no encerramento da última faixa, fica ao ouvinte o convite de colocar o seu violão nas costas e caminhar com a The Outside Dog pela estrada de terra batida, rumo ao caminho dos próximos dois EPs da trilogia.








quinta-feira, 4 de abril de 2013

Resenha: The Strokes - Comedown Machine




Pois é, muitos já falaram de Comedown Machine, novo disco do Strokes. Várias resenhas saíram e o assunto pode ter até ficado pra trás. Acabei ficando sem tempo para fazer a do Indie Shoe e sei que escrevê-la agora vai soar mais do mesmo, por quê, afinal, diversas visões já foram expostas sobre o álbum. Entretanto, ainda sinto vontade de dar minha opinião sobre o mesmo. Então bora lá!



O primeiro contato que tive com o álbum, e acredito que foi o mesmo que todos tiveram, foi com o stream do primeiro single, One Way Trigger, e a reação de quase todos foi a de espanto e surpresa. A esperança do Strokes voltar a ser aquele de Is This It desmanchava, e víamos um Strokes nos moldes de Angles, inclusive ainda mais "breguinha" digamos assim. Por essas bandas, as comparações com o tecnobrega foram imediatas (na gringa a comparação foi o som do A-ha) e isso virou motivo de piada, inclusive com a criação de um clipe utilizando imagens da Carreta Furacão. Não vou negar que no começo não gostei da música. e ameacei "desistir da banda". Entretanto, com o passar do tempo, sem ficar pensando que era Strokes, ou jogar responsabilidade na composição, percebi que One Way Trigger era bem divertida, e o clipe-sátira ajudava. Pouco tempo depois foi lançado o segundo single, All The Time, e a expectativa dos fãs em rever o Strokes  Indie Rock voltou a ganhar vida. A faixa não deixa a desejar para outras como Someday e Hard to Explain, com guitarras secas e a bateria dinâmica e rápida, assim como o vocal de Julian. 

Com apenas duas faixas liberadas, ficava a dúvida meio a meio: para que lado a banda iria caminhar no novo álbum? No final das contas, ficaram com um pé cá, outro lá, e um braço perdido por aí. Acabou que  Comedown Machine veio até certo ponto melhor (ou menos pior) que Angles - disco que nem os próprios integrantes gostam. e vimos um Strokes ainda passeando pelos anos 80, com um som meio Rock meio Synthpop. Vemos isso em 80's Comedown Machine, onde Casablancas  aparece com um vocal meio sintetizado e que remete ao estilo Angles de ser. Entretanto, a parte instrumental se caira para o lado Rock da década e se mostra uma boa faixa pelo padrão do disco, e que ganha destaque apenas por estar eno universo Comedown Machine, por que, fora dele, e se fosse em um outro disco da banda, provavelmente não levantaria euforia no ouvinte.

Senti que 50/50 soa como Ask Me Anything, mas numa versão sintetizada. Onde lá era um órgão, aqui vemos o som sintetizado. Se era para parecer com algo de discos anteriores, essa faixa e All The Time foram as que mais se aproximaram, mesmo que essa não seja o nível Rock desejado, já tínhamos uma nos mesmos moldes de First Impressions of Earth. E o disco vai indo assim, coeso dentro de seu mundo. Mas, se analisado pensando em ser um disco de um banda que era caracterizada pelo seu som que deu um respiro no Rock no início de 2000. em meio ao mar Pop comercial, e que passava quase sempre bons riffs de guitarra, ele se mostra meio perdido. 

Fechando a obra temos Call It Fate Call It Karma.  Um Jazz Piano que parece fisgado dos tempos áureos da rádio dos anos 30 e 40 e que soa como uma faixa escondida, daquelas que ficam ali, sem nome na tracklist, mas aparecem com um ar de gracejo após uns minutos de silêncio da última do álbum. Meio perdida, e com uns falsetes estranhos, que Julian pelo jeito gostou de experimentar, ela encerra a obra e com um ponto de interrogação e deixa o ouvinte ainda mais perdido. 

É notório que a banda, já a um tempo, está numa fase de experimentação, e isso é totalmente válido e deve ser aceito pelo ouvinte. O artista tem total liberdade para compor do jeito que ele se sente e tem vontade. Lógico que a resposta do fã é importante e sua opinião deve ter atenção, mas, se ater apenas a esse parâmetro é limitar a arte. Um belo exemplo (guardando todas as possíveis proporções) pode ser visto com os Beatles, que deixaram de ser os garotos de cabelos arrumadinhos e terninhos engomados para os psicodélicos e até mesmo hippies. A arte ela é inconstante e deve ser assim, provocativa e libertária. 

Se o resultado não agradar, nem ao público nem ao artista, isso fica como uma avaliação posterior por parte deste, onde se deve ponderar se não é melhor retornar para a sua zona de conforto ou então experimentar algo diferente do que foi tentado. Angles e Comedown Machine saíram um atrás do outro, quase sem respirar, e o resultado não foi muito agradável. Talvez seja melhor sentar, parar um pouco e reorganizar a casa,  mesmo que seja para continuar com esse som mais diferente do seu habitual, mas que pelo menos seja feito com mais calma,  e assim tenha um resultado mais redondo. Sabemos que o quinteto consegue fazer isso. 





sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Resenha: The History Of Apple Pie - Out Of View



Lá atrás, no final dos anos 80 e começo dos anos 90, se formavam alguns  subgêneros do Rock Alternativo. Eram eles o Shoegaze, o Twee e o Noise Rock/Noise Pop. Muitas bandas originárias desse estilo se firmaram em apenas uma dessas vertentes e assim foram responsáveis por se tornar referência no estilo que praticavam. Entretanto,  é comum na cena musical que novas bandas bebam de mais de um poço e formem uma sonoridade híbrida. Foi assim que aconteceu com as novas gerações, os Nugazers, os novos shoegazers. 

A The History Of Apple Pie é a mais nova caloura dessa nova geração.  Dando seus primeiro passos com seu primeiro disco de estúdio, Out Of View, os londrinos trazem uma mistura que soa como um Shoegaze + Noise Pop + granulados coloridos.

A descrição pode soar bizarra, mas visto as capas de single , fotos de divulgação, e os clipes lotados de algodão doce e pirulitos, a sensação não tem como ser outra. Porém, mesmo passando a doçura explicitamente, o THOAP consegue misturar bem suas influências e trazer um disco equilibrado, com doses mais melódicas aqui e doses mais barulhentas e pesadas ali.

O álbum começa com Tug que traz um shoegaze revivido, com seus vocais mais ecoantes e as guitarras fazendo seus wall of sound com fuzz. Tal sonoridade se repete adiante em Long Way To Go. As demais faixas variam entre um Noise Pop, horas mais embalado e horas mais denso, e algumas faixas mais açucaradas caindo muito para o lado do Twee. See You e Mallory carregam fortemente no Pop - mesmo com a segunda já trazendo mais guitarras - isso se deve talvez ao fato de serem os singles da banda que anteciparam e previam Out Of View

A densidade fica para Glitch, Do It Wrong e principalmente I Want More. Três faixas que se mostram mais maduras e referenciadas no Noise Rock dos anos 90 sendo mais cruas, ríspidas e diretas, mas claro, com a dosagem delicada do vocal de Stephanie Min. 

O THOAP se mostra interessante ao saber trabalhar os estilos de bandas como My Bloody Valentine, Lush, Slowdive e até Dinosaur Jr. e dando seu toque doce. Talvez haja um certo exagero na vendagem da doçura em seus clipes e fotos, mas isso não chega atrapalhar. Pelo contrário, pode até ser visto como uma diferenciação deles no meio da safra que toda hora cresce de novos shoegazers. O importante é o som que eles vêm fazendo, o qual se mostra muito agradável para nosso ouvidos. Uma visita deles em terras brasileiras seria muito bem recebida, seja com ou sem seus doces.

Nota: 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Resenha: 4ª Edição All Folks Fest


Parecia que São Pedro estragaria o sábado dos fãs de Folk, mas nada como ótimos artistas e um lugar acolhedor para ir contra a chuva em São Paulo para encher o Centro Cultural Rio Verde para a 4ª Edição do All Foks Fest, sendo a quarta edição do festival no ano, com três na capital e uma em Araraquara.

Fotos: Fernando Galassi


A principal novidade da edição foi o novo palco. O até então desolado teatro aos fundos da casa foi reformado e foi agora adotado como o palco principal do festival. Todo madeirado e com varais de lâmpadas incandescentes, dando um clima festivo, o palco no começo da noite se preenchia com vários violões, os quais os artistas da noite irão tomar posse e fazer o som que encantaria os presentes.
O primeiro a se apresentar foi o irlandês, cada vez mais paulistano, Johnny Fox que fez um lindo show com uma carga intimista contagiante fazendo todo o público ficar sentado observando os acordes soados do violão do irlandês. Fox tocando entre outras músicas, uma versão de The Outside adaptada do piano para o violão e duas músicas novas, Laughing Stock, do EP lançado em Outubro, e You Think That You’re In Love deseu EP Silence is Golden, lançado no mesmo dia do festival. Johnny Fox ainda tocou a Minha Mulher de Caetano Veloso e ainda por cima cantando em um português esforçado. Um dos shows mais bonitos de todas as edições do festival.

Fotos: Fernando Galassi


A seguir seria a vez dos anfitriões do The Outside Dog. Saindo do clima calmo da atração anterior, o agora quinteto – com a entrada de Rafael Elfe, viria a trazer um clima de animação para o público do festival, principalmente com um dos pontos altos da banda, o gaitista Ciro que traz um toque a mais para a banda, como na ótima The Rooster’s Gonna Crow. O show foi marcado por ser a primeira participação de Elfe como integrante do The Outside Dog, tendo inclusive uma música inédita feita em parceria com seus novos parceiros e uma música solo, onde Pedro o acompanharia em alguns momentos nos vocais. O grupo ainda tocaria a divertida I Don’t Belive it’s You Again fecharia sua apresentação com seu maior sucesso, Open D Blues, fazendo o público bater pé e dançar, fechando assim mais um show redondo e bem executado da banda.

Nada melhor que o teatro para ser palco dos irreverentes e ótimos músicos do Mustaches e os Apaches. O grupo possui rostos conhecidos como Pedro Pastoriz, que agora usando o bom humor adota o nome de Pete Shapperd fazendo um trocadilho com seu nome real.

O grupo iniciaria sua apresentação mise-en-scène logo na sua entrada ao descer as escadas do mezanino do teatro e tocando no meu do público. O som misturava a base das tradicionais jug bands de New Orlenas com um experimentalismo interessante, como a utilização de percussão alternativa formado por um washbord acoplado de campainha de hotel e um pequeno prato de bateria, e mais adiante um serrote sendo usado como um instrumento tocado com vara de contrabaixo.
Usando ainda da irreverência, os integrantes fariam caras e bocas, latidos, uivos, mímicas e introduções de La Bamba e Paint in Black dos Stones no violão, adicionando um toque muito diferenciado em meio as ótimas músicas tecnicamente apresentadas nos mais variadas instrumentos como mandolim, contrabaixo e kazoo.

Fotos: Fernando Galassi


O show (no teatro) ainda terminaria com um cover de Misrilou de Dick Dale, um dos pais do Surf Rock, que agora tomaria a forma da sonoridade do grupo. No mesmo esquema do início do show, o grupo sairia tocando e agora se dirigia ao coreto do Centro Cultural para o agradecimento e encerramento de sua memorável apresentação no festival.

Encerrando o festival, os estreantes do The Leprechaun nos trariam uma mistura de Folk irlandês com Punk Rock. Não apenas no som, a Irlanda se apresentava na temática, como pôde ser observado na música Kill The King, a qual mostra uma letra patriótica relatando os conflitos entre a Irlanda e a Inglaterra, travada há séculos atrás. O grupo ainda apresentaria algusn covers para ajudar a cativar o público. Rock ‘n’ Roll Radio dos Ramones e Santeria do Sublime foram duas dessas versões Folk. O terceiro cover ficou com Fluorescente Adolescent dos Arctic Monkeys, que conteve alguns erros, mas totalmente compreensíveis, ainda mais pelo nervosismo natural de uma primeira apresentação. No geral o grupo soube bem debutar em palcos apresentando seu som que agrada a fãs de bandas como Flogging Molly e Dropkick Murphys.

Assim como em todas as suas outras edições, o All Folks Fest foi mais uma vez uma ótima oportunidade para os artistas nacionais do Folk se apresentarem, e para o público fã do estilo ganhar um espaço para cutir essas bandas., o All Folks. Com um lineup sempre procurando passar o estilo com diferentes vertentes, sendo horas mais calmo, outras com mais energia e até mesmo com uma roupagem mais diferente, a quarta edição do festival se mostrou muito bem elaborada, seguindo os padrões das edições anteriores, e tendo um adendo positivo do novo palco, o teatro, que se tornou um elemento a mais de experimentação do clima do festival, que cada vez mais se torna um evento obrigatório na agenda dos paulistanos. 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Resenha: The Cribs




Apesar de não ser fim de semana, nem feriado, nesta noite de quinta-feira o Beco 203 em São Paulo estava com casa quase cheia para ver os irmãos Jarman tocarem seu Garage Rock com toques Pop. O The Cribs voltava, dessa vez trazido pela Playbook, depois de um ano ao Brasil, por sinal à mesma casa, para mais uma apresentação, dessa vez contando com músicas do disco In The Belly the Brazen Bull, lançado no começo do ano.


Mas antes da banda subir ao palco, David Jones - guitarrista da banda Nine Black Alps,e de apoio do Cribs - subiria ao palco para tocar quatro canções, incluindo Unsatisied, uma das mais conhecidas de sua banda.


Logo em seguida, a atração principal já chegou com pique, e tocou em seguida as três músicas de abertura. A primeira da sequência foi o hit Come On Be A No-One. A banda só foi tomar fôlego e dizer boa noite ao final de Dirts Like Mystery, dizendo “Boa Noite Sao Paolo (sic)” em um português esforçado. Os fãs mais antigos da banda abriram o sorriso mais a seguir, quando o quarteto tocou a embalada I’m a Realist que compõe o consagrado Men’s Needs, Women’s Needs, Whatever.


O show apesar de oscilar algumas vezes, sempre tinha algum elemento de fúria e energia, seja com Ross, baterista, tocando quase que em pé, apoiando-se no banco da bateria durante boa parte de uma música, ou com os gêmeos derrubando e chutando os pedestais de microfone, elevando a temperatura do show.


Um dos pontos altos do show ficou com a música Back to the Bolthole que com suas guitarras sublimadas com phaser somadas a vocais amenizados e intimistas , criava uma bonita atmosfera em meio ao jogo de luzes, trazendo um ar interessante diferente do garageiro e  noise presente no show.  


Por falar em Noise, eis que o Cribs ganha mais um integrante durante a sua apresentação.. Tratava-se de Lee Ranaldo, do Sonic Youth, que apareceria no telão para declamar declamar a letra da ótima Be Safe, enquanto em alguns momentos apresentava objetos aleatórios como câmera fotográfica, pedras, cabeça de manequim e vinis. Apesar de ser um elemento utilizado desde de 2008 pela banda em suas apresentações ao vivo, com certeza é um ponto alto do show e sempre esperado pelo público.


Chegando ao final do show, a banda tocaria Hey Scenesters, e o hit Mens’ Needs, colocando o público inteiro para cantar e pular. A cereja do bolo viria a última música, City Of Bugs, encerrada com um jam de noise e mais guitarra e pedestais arremessados e chutados.


Apesar das poucas interações e de oscilar na intensidade do show, começando com muita energia contagiante e só voltando a empolgar o público no final, o The Cribs fez um show na média, empolgando mais ao fãs, e não chegando a contagiar os novos ouvintes. Entretanto, fizeram uma apresentação tecnicamente redonda, executando todas as faixas muito bem, dando qualidade ao show. Valeu a quinta-feira do público.  


sábado, 7 de julho de 2012

Resenha: The Radio Dept. - São Paulo




A noite dessa sexta-feira no Beco 203 em São Paulo foi responsável por receber não um, mas, dois ótimos shows. A banda gaúcha Lautmusik, responsável por abrir para o The Radio Dept., trouxe um Post-Punk/Noise muito interessante. Excelentes linhas de baixo acompanhados de efeitos precisos e na medida nas guitarras, uma bateria sólida, e vocais muito bem colocados. Um show de abertura nada morno, como acontece em muitos casos. Pelo contrário, o show caiu no gosto da platéia que soube reconhecer o trabalho os brasileiros.

Após a abertura, era aguardada a entrada dos suecos do The Radio Dept. que fariam a sua primeira apresentação em terra brasileiras.

O público da casa tomou conta de toda a pista, contando com alguns vestindo camisetas da banda, mostrando através desses indícios que há uma legião de fãs tanto da banda quanto do estilo. O que é muito bom.

“Hey!”. Foi essa a primeira palavra de Johan Duncanson, guitarrista e vocalista, com o público da casa. Johan também disse estar feliz por ter vindo ao Brasil e que é um prazer está aqui para tocar para os fãs.
Fãs estes que estavam extremamente animados do começo ao fim. A cada música era como se ela passasse por dentro de cada, fazendo-os se sentirem parte da mesma.
Essa energia do público é resultado do show ter sido trazido através do crowdfunding – organizado pela Playbook - onde muitos que estavam ali presentes eram verdadeiros fãs que bancaram a vinda da banda.



Falando propriamente do show, foi algo bem orgânico e com um set list bem distribuído pelos discos da banda – com exceção ao disco Pet Grief que só contou com uma faixa nos show.
O single The New Improved Hypocrisy e o hit Keen On Boys – para delírio da platéia – foram as que deram início ao show. Mais adiante, em meio a agradecimentos e um arranhado “obrigado” vieram as belas The City Limt, Bus e 1995. Um trio impecável.

No momento em que Martin deixou a sua guitarra para assumir o baixo já se imaginava o que viria: Why Won’t You Talk About It, David – com sua introdução magnífica com toques de hip hop, e a tão aguardada por todos, Heaven’s on Fire, responsável por fazer a platéia cantar e pular do começo ao fim da música.
Closing Scene, seguida de Lost And Found está no bis – viriam para fechar o show. O show, mas não a interação dos suecos com a platéia. 

Assim que a última nota foi tocada, começava-se a sessão de autógrafos no palco. Posters do show, revistas e até um nota de real foram entregues para ganhar o autógrafo dos ídolos.

Numa simpatia sem tamanho, atenderam a todos com muita atenção e até chegaram a descer para a pista, onde tiraram fotos e deram mais autógrafos. Atitudes que só fizeram o show valer ainda mais apena e que foi responsável por ganhar mais carinho pelos fãs brasileiros.



O The Radio Dept. mostrou que sabe muito bem apresentar suas faixas, gerando uma atmosfera íntima mas sem deixar de ser animada e interativa.Um show redondo e acima de tudo contagiante. Que essa seja a primeira de outras tantas vindas.

domingo, 18 de março de 2012

Resenha: Show Black Cold Bottles @ Estúdio NiMBUS



Na noite dessa sexta-feira, no estúdio NiMBUS, localizado no bairro da Lapa em São Paulo, um som de qualidade ecoava pelas paredes com isolamentos acústicos do estúdio.

Com overdrive, phaser, e fuzz, as guitarras tintilavam e fritavam. Com um groove envolvente, o baixo dava nós na alma dos presentes, enquanto  a bateria injetava adrenalina pulsante, oras raivosa, ora sublime.
Eram os quatro integrantes da banda de som shoegaze, indie, blues rock, noise rock , e acima de tudo, bom, chamada Black Cold Bottles.




Com pouco mais de uma hora de duração, doze faixas tocadas – sendo uma delas um cover rearranjado de Transmission do Joy Division – a banda mostrou para o público que sabem mostrar rock n’ roll também ao vivo.

Com uma boa ordem de set list, a banda soube colocar as músicas mais intimistas no início do show, trazendo o público pra dentro do show, e aos poucos evoluindo colocando músicas mais agitadas e agressivas quando então o público já estava tomado pelo ambiente da Black Cold Bottles.

Poucas palavras e muito rock. Foi assim o show da BCB. Apresentaram muito bem o repertório que até então não era conhecido pelo EP (Confira aqui a resenha do EP ) que possui apenas 5 faixas. Músicas ão boas quanto as que apresentaram no compacto de estréia.


Que venha o LP!

sexta-feira, 16 de março de 2012

Resenha: Howler - Beco 203 São Paulo

Após a nevasca que os impediu de pegar o vôo de Mineápolis para São Paulo e chegar para fazer o show no dia 24, eis que chega o dia 26, data remanejada para o show. Dia de ver de perto a banda de maior hype da atualidade, e vista como a banda 2012 por mídias especializadas e de renome como a NME.

Rua Augusta, Beco 203. Pouco antes de a casa abrir, por volta das 20:15, já se formava uma fila considerável na calçada, apontando a ansiedade das pessoas.

Antes dos garotos do Howler, ainda subiu ao palco a banda paulistana Some Community que apresentou um som powerpop/noise pop que fez o público, que mesmo sem conhecer as letras, agitar-se.

Com revezamento de instrumentos pelos integrantes, e músicas bem compostas, a Some Community fez uma boa abertura para a banda principal da noite.

Logo em seguida, aos poucos os integrantes do Howler subiam ao palco para afinar instrumentos, e arrumar disposição de microfones. Nesse meio tempo, principalmente Jordan, o líder da banda, já interagia com o público que estava na frente do palco,

Com um pequeno atraso de 30min, começava o show. Tocando logo de início America, uma das melhores músicas do álbum , já agitaram o público que se não sabiam as letras sentiam, dançavam e curtiam as músicas.

Entre as músicas, os integrantes faziam piadas e se comunicavam com o público. Pediram desculpas pelo adiamento do show até citando que o motivo é que em “Mineápolis é sempre frio e com neve, ao contrário daqui que é muito quente “.

Tocaram praticamente o álbum America Give Up inteiro entre umas goladas de Jack Daniels que ficava ao fundo do palco, e que ao final foi até compartilhada com um cara da frente do palco.

Os hits Told You Once e Back Of Your Neck, as mais esperadas por todos, ficaram mais pelo final. Esta última contado com o que todos esperavam: a paradinha ao vivo! Que ao retornar agitou ainda mais a platéia.

Agradecem o público e saem do palco. Mas não era o final. Eles ainda voltariam para tocar mais uma no “encore” . Onde tocaram com “agressividade” de rock n roll com microfonia de guitarra no amplificador e “barulhos” feitos no teclado.

Jogam-se as baquetas e palhetas para o público, que pelo alvoroço para pegá-las mostra-se que gostaram bastante do show de uma banda que acima de notas dadas por revistas, teve o seu verdadeiro e mais importante termômetro nessa noite, o público.

SET LIST:

1.       America

2.       Beach Sluts

3.       For All Concern

4.       Too Much Blood

5.       Wailing (Making Out)

6.       This One's Different

7.       Pythagorean Fearem

8.       Told You Once

9.       Back To The Grave

10.   Back Of Your Neck

Encore

11.   Black Lagoon

 

Resenha: Born To Die (Lana Del Rey)

Elizabeth Grant, mais conhecida como Lana Del Rey, esta nova iorquina conquistou os ouvidos – e olhos – de muitos já no ano passado, antes mesmo de lançar o seu álbum.

O motivo foi o grande número de vazamentos de faixas, cerca de quatro, que viriam a estar no álbum Born To Die. O qual por sua vez também teve vazamento e acabou caindo para downloads cerca de uma semana antes da data oficial do lançamento.

Esse “BOOM Lana Del Rey” foi imenso. Várias capas de revistas sejam elas de música  ou de celebridades; participações em programas de TV seja para cantar ou para entrevistas, etc.

A principal característica de Lana Del Rey pode ser entendida como seu vocal aveludado e blasé, que nos remete a grandes cantoras norte-americanas dos anos 60.

Rotular o estilo de Lana é algo não muito fácil. Ela passa por soul, pop, blues, e até mesmo tendências de hip hop como pode ser percebido em  faixas como Diet Moutain Dew. Muito rotulam seu som como indie pop. Bom, não vejo como sendo o mais adequado, mas também não vejo de tão mal.

Born To Die é um disco relativamente longo, com 15 faixas. Onde todas beiram ou superam os 4 minutos de duração, dando assim ao álbum 60 minutos. O que pode torná-lo um pouco cansativo para quem não gostar realmente do estilo.

 

Análise de faixas

·         Off The Races: Uma das melhores do álbum. Apresenta bem a mistura entre o hip hop e o blues presente na voz de Lana. Destaque para o refrão que apresena uma ótima batida e alguns agudos de Lana, que não são muito comuns de se ouvir.

·         Video Games: Primeira música lançada de Lana. E primeira a ganhar vídeo clipe. O que ajudou e muito a inicar o boom, ao associar para o público  a bela voz e a bela cantora. Uma das músicas em que se percebe melhor todo o potencial vocal de Lana, horas com mais força horas mais suave. Uma das melhores do álbum

·         Diet Moutain Dew:  Uma das que mais paresenta a batida de hip hop. Bateria marcante e back vocals típicos do estilo. Aqui Lana apresenta um vocal menos encorpado e mais ritimado. O mesmo é percebido em National Anthem, mas daí com um vocal vezes realmente no ritmo do hip hop.

·         Million Dollar Man: Bem sinestésica. Consegue-se associar muito bem o nome da música, com o som e cria-se perfeitamente um cenário na cabeça do ouvinte.  Million Dollar Man traz bem um ar de requinte e sofisticação trazidos pela voz de Lana nessa faixa. Voz típica de cantoras  de blues das mais provocantes.

·         Lolita: Música mais “dançante” e pop do álbum. Apresenta um ritmo mais rápido, e com batidas eletrônicas juntamente com as batidas já presentes no álbum.  Com refrão soletrado (L-O-L-I-T-A) nem chega a parecer Lana Del Rey.

·         Lucky Ones: Fecha muito bem o álbum tendo um quarteto de cordas acompanhando a voz de Lana, que traz um ar mais sublime a música.

O hype foi crescendo, e o álbum Born To Die está até a data de hoje em primeiro lugar em 11 países!

O álbum é realmente um bom álbum, mas não podemos ignorar que muito desse seu destaque e vendagem é devido a esse hype gerado, ainda mais ao se tratar de um artista que é também fisicamente atraente. E isso vende e muito no mercado – não há como negar. Mas claro que a grande parte do mérito é a incrível capacidade vocal de Lana, que consegue cantar de diversas maneiras, tons, e estilos diferentes. Mostrando-se uma boa “instrumentista” da voz.

No geral, as músicas se assemelham muito, mas não deixam de ser boas.

Nota: 7/10

Resenha: Arctic Monkeys: Live à L'Olympia


Arctic Monkeys: live à L’Olympia

Direto de Paris, e via livestream, os fãs da banda puderam acompanhar o show de número 100 da turnê do novo álbum dos britânicos, o Suck It And See.

Com abertura de Miles Kane, e participações do mesmo em duas músicas no show (Little Illusion Machine e 505), os Monkeys tocaram 20 músicas. Sendo estas 6 do álbum da turnê, 6 do Favourite Worst Nightmare, 4 do Whatever People Say I Am, That's What I'm Not, 2 do Humbug, e 2 B-sides (Little Illusion Machine, e You & I – esta com a participação de Richard Hawley).

Eu diria que houve três fatos curiosos.

Primeiro, e apenas estético: a transmissão em preto e branco, dando um ar retrô (condizente com o estilo, recém adotado de cabelo e vestuário, de Turner).

Segundo: a presença de duas B-sides no show. Algo não muito comum em shows, mas que vejo como algo relevante e interessante. Pois, faz com que mais pessoas conheçam essas músicas, que são tão boas quanto as “A-side”, e corram atrás para conhecer esse material.

E terceiro: o grande número de músicas do segundo álbum , o Favourite Worst Nightmare, tocaas no show. Se equivalendo ao número de tocadas do Suck It And See, o álbum da tour.

O show foi bem ao estilo Arctic Monkeys. Com poucas pausas durante as músicas, e algumas interações com o público. Nada muito exagerado, pirotécnico, corridas pelos palcos, “cantem comigo”, etc (apenas alguns trocadilhos e piada do Alex hahaha). Direto, simples, e ótimo!

SET LIST

1.       Don't Sit Down Cause I've Moved Your Chair

2.       Teddy Picker

3.       Crying Lightning

4.       The Hellcat Spangled Shalalala

5.       Black Treacle

6.       Brianstorm

7.       The View From The Afternoon

8.       I Bet You Look Good On The Dance Floor

9.       Library Pictures

10.   Brick by Brick

11.   This House is a Circus

12.   Still Take You Home

13.   Little Illusion Machine

14.   Pretty Visitors

15.   Suck It And See

16.   Do Me a Favor

17.   When The Sun Goes Down

18.   You & I

19.   Fluorescent Adolescent

20.   505

 

PS: Daí muitos se perguntam se podemos tirar esse show como base para o Lollapalooza Brasil. Bom, são shows diferentes. Pois o Lolla é um festival.

Provavelmente teremos algo mais equilibrado entre os álbuns (com exceção do Humbug que não vem sido muito tocado nos shows). E claro, menos músicas, já que 20 são muitas para um festival. Como podemos tomar como base o Lolla 2011, onde os Arctic Monkeys tocaram 14 músicas “apenas”.

Resenha: America Give Up

                                               

De Minneapolis, EUA, para o mundo(frase clichê detectada)

Frase clichê, mas que tem tudo para ser verdade. O quinteto que surgiu em 2010, já teve fortes atenções em 2011 ao lançarem dois singles: I Told You Once, e Back of Your Neck.

Muitos os apontavam como uma promessa para 2012, entre elas a famigerada NME.

Com o lançamento do LP America Give Up no início da segunda quinzena de Janeiro deste ano, foi realmente percebido o potencial desses garotos.

A expectativa gerada para o lançamento do álbum foi correspondida com ótimas faixas. Com um estilo principal de surf rock, indie rock e garage, assemelham-se muitas vezes ao The Drums.

Outros estilos são percebidos ao rolar das faixas, como influências de post punk e new wave, de bandas como o A Flock of Seagulls (responsável pelo single I Ran [So Far Away] tão famoso nos anos 80) e do britpop/rock de bandas como The Enemy e The Kooks, percebidas nas faixas Beach Sluts e Back of Your Neck.

Análise de faixas:

Beach Sluts: Abrindo o álbum com o uma música que é a cara da banda. Surf rock que cresce num  garage rock.

America: A com mais cara de post punk/new wave. Vocais mais encorpados e guitarras fazendo um certo “wall of sound” durante os versos.

Wailling (Making Out) : Com bom riffs e gritos à la Julian Casablancas pro final da faixa, é mais uma de destaque do álbum.

Pythagorean Fearem: Mais uma faixa onde os destaques sãos riffs. Desta vez muito bem “fritados” em partes da faixa.

Told You Once: Single que os fez ganhar atenção no cenário. Com um refrão fácil de se cantar, logo logo vai tomar conta das pistas e da boca da galera. Solo bem surf rock.

Back Of Your Neck: Outro single de 2011. Uma das melhores do álbum! Com um som meio britpop/rock lembrando The Kooks e The Enemy, é uma música mais “bonitinha” principalmente pelos backing vocals. Detalhe pro sensacional break (presente só na versão de estúdio) no final da faixa.

Com tour nacional (EUA), e internacional, passando por Japão, Reino Unido, França, Bélgica, Canadá e *DOIS SHOWS NO BRASIL, realmente o Howler chegou chegando. Olho neles!

*Os show no Brasil serão em São Paulo dia 24/02 no Beco 203 e dia 25/02 no Porão do Beco em Porto Alegre.

Ingressos para São Paulo à R$70 : Comprar

Lote promocional para São Paulo à R$50 (+ 10% de tx. de conveniência): Comprar

Ingressos para Porto Alegre à R$30 : Comprar

Ouça abaixo o álbum na íntegra via stream