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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Discoteca Indie Shoe: Dinosaur Jr. - Farm (2009)



Parece que quanto mais cabelo branco J. Mascis tem, e quanto mais careca Muprh  fica, o Dinosaur Jr. só melhora. Com isso, a banda pode ser comparada facilmente com vinho: quanto mais maturado melhor

E é por isso que o álbum escolhido para a discoteca foi Farm, penúltimo disco da banda estadunidense. Nisso alguns irão pensar "mas se com o passar do tempo eles ficam melhor, por que não escolher o último disco ao invés do penúltimo?". Boa pergunta, e a resposta é simples: ambos são igualmente bons e a escolha foi por gosto próprio. PS: Entretanto, não deixe de ouvir I Bet On Sky.

Na ativa desde o início dos anos 80, a banda carrega consigo dez álbuns de estúdio que marcaram principalmente a década de 90.  Curiosamente, no início de suas atividades a banda chegou a pegar nuânces do Hardcore - estilo que está vívido na época - como pode se observar em Dinosaur, disco de estreia. Daí pra frente começaria o legado que não só tornou a banda umas das principais dos anos 90 junto com Nirvana, Sonic Youth, Pixies, Pavement e até mesmo a Sebadoh  -de Lou Barlow, baixista da banda -, como foi influência para as demais bandas que seriam rotuladas de Rock Alternativo.

Trazendo um pouco desse lado alternativo com dosagens precisas de Noise - este muito bem elaborado e apresetado de maneira coesa - o Dinosaur Jr. marcou um estilo quase que próprio principalmente pelo uso técnico de riffs e escala por parte de J . Mascis. Ao longo de sua discografia o trio sempre traz músicas que oscilam entre canções mais intimistas e outras de se viajar dentro de si mesmo com solos carregados de reverb, fuzz, chorus e bends.

Mais precisamente em Farm, temos uma das melhores compilações de canções da banda, digna de não se conseguir pular uma se quer. Logo de início somos acalentados pelos riffs de Pieces e I Want You To Know, que trazem o som característico da banda e que foi responsável por fazer sua identidade. Energia sempre pulsante e com foco na guitarra de Mascis. Na sequência Once In The Way e Plans são responsáveis pela dose mais sentimental - outra especialidade do Dinosaur Jr. que sabe como poucos utilizar o Noise de maneiro tocante e bela. 

Perceba que foram citadas as quatro primeiras faixas do disco, sem pular uma sequer, com todas ganhado destaque. E é assim que o álbum vai seguindo; primoroso do começo ao fim, com todas as canções muito bem trabalhadas tecnicamente e sabendo qual(ais) emoção(ões) usar em cada uma das faixas desse que é um dos mais belos álbuns dos últimos anos e dingo de se ter na sua estante. 


sábado, 20 de abril de 2013

Discoteca Indie Shoe: Pavement - Slanted and Enchanted (1992)



Às vésperas de Stephen Malkmus chegar ao Brasil para sua mini tour, o primeiro disco de sua originária banda faz aniversário e atinge a sua maioridade plena. Slanted and Enchanted, do Pavement, faz hoje, dia 20 de Abril, 21 anos de existência e de muita importância no cenário do Rock, principalmente do alternativo e independente. Tido como influência para diversas bandas que começaram a se formar nos anos finais da década de 90, o álbum se mostra atemporal e ainda com extrema relevância.

Produzido de maneira independente e lançado pela lendária Matador Records, o disco trazia em si a essência do DIY (Do It Yourself/Faça Você Mesmo) e fincava, juntamente à outras bandas como Dinosaur Jr. e Pixies, o que viría a ser conhecido como Rock Alternativo: guitarras distorcidas, fuzz, vocal mais despojado e influência do Rock inglês do final dos anos 70 e meio de 80, trabalhando bem o equilíbrio entre a intensidade e a harmonia entre melodias e gritos. 

Slanted and Enchanted é com certeza uma discografia obrigatória para se compreender a cena independente do Rock, tanto coletivamente quanto isoladamente garimpando por suas 14 faixas. Seu single Summer Babe - que abre a obra - figura até hoje nas listas de melhores canções dos anos 90 e até mesmo de todos os tempos. Trigger Cut - seu outro single - e Conduit for Sale! são exemplos de como se fazer um som sujo e garageiro. E assim o disco segue, sempre com boas canções e nos dando uma aula. Notas máximas e nomeações à listas é o que não faltaram para a obra. 

Se para o mundo da música o álbum foi importante, o mesmo também teve sua relevância para a própria banda. Foi em meio à essa época em que o Pavement achou-se como unidade, primeiro agregando Mark Ibold ao baixo e Gary Young à bateria - após os anos três anos só com vocais e guitarras - e em seguida com a saída de Young ao final da turnê de Slanted and Enchanted e entrada Steve West, fechando assim a formação definitiva da banda. 

Após mais de uma década, a obra se mostra importante até hoje, seja aparecendo nos iPods de alguns jovens, nas discussões a cerca da música independente, na presença em trilha sonora de filme (com Here no filme As Vantagens de Ser Invisível [2012]) e na demanda que se observa com a turnê de seu líder Stepehen Malkmus. Algumas peças artísticas nem são pensadas e trabalhadas para serem representativas ou geniais, e muitas vezes por essa despreocupação é que assim se tornam, e Slanted and Enchanted é um bom exemplo disso.



sábado, 16 de fevereiro de 2013

Discoteca Indie Shoe: Belle and Sebastian - Tigermilk (1996)



No ano de 1996 dois amigos, os "Stuarts", Murdock e David, se encontrariam na Stow College em Glasgow, Escócia, e começariam a fazer suas primeiras composições. Formava-se o embrião do que viria a ser o Belle and Sebastian. A sinergia entre ambos era alta, e o processo criativo fluia, e com tantas músicas prontas, a gravação de um disco se tornava iminente, e no mesmo ano surgiria o primeiro álbum da banda: Tigermilk. De início o disco começou com uma baixa tiragem em vinil, tornando-se então uma versão rara e dando a ele ainda mais charme, além claro,  do que vinha da qualidade de suas faixas. No ano de 1999, a gravadora Jeepster - a qual foi a gravadora da banda até 2003 - relançaria o álbum em escala comercial.


Tido como um dos marcos do Twee Pop, o Tigermilk, primeiro passo da carreira do Belle and Sebastian, figura tanto entre as listas pessoais de fãs do estilo quanto da crítica especializada, como a de Top 200 Músicas dos anos 90 da Pitchfork com a faixa The State I Am In. Faixa essa, que juntamente à Expectations, We Rule the School e I Don't Love Anyone, formaria as mais conhecidas do álbum e uma das mais famosas de toda a carreira do Belle and Sebastian aparecendo inclusive em filmes e séries como Juno, How I Met Your Mother e o novo sucesso Girls.

O que conhecemos pelo som do grupo escocês, sua doçura e letras bem intimistas entoadas por vocais alternados entre masculinos e femininos,  daria início nesse primeiro álbum e se tornava marca registrada da banda, se mantendo nos seus próximos trabalhos,  rendendo outros grandes frutos como The Boy with the Arab Strap e Dear Catastrophe Waitress, que assim como Tigermilk, também alcançaria altas notas da crítica e alta vendagem ao redor do mundo. 

Já com bons anos de história, Tigermilk vem com seus 17 anos de lançamento e se mostra ainda vivo, seja como um dos marcos de um estilo que perdura até hoje, quanto com sua presença nos iPods e computadores de praticamente duas gerações. Onde os mais novos vêm descobrindo o Twee ou a própria banda, e os mais antigos e os mais fanáticos ainda na busca pelo raro vinil de pequena tiragem. Mas ambos concordam e colocam Tigermilk em sua discoteca, seja física ou virtual, assim como aqui o colocamos. 


segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Discoteca Indie Shoe: The Black Keys - Rubber Factory (2004)



   Muitos acabaram conhecendo o Black Keys no final do ano passado quando a dupla lançou seu mais recente disco, El Camino, quando mergulharam de vez num som mais comercial. Entretanto, a banda já carrega nas costas uma carreira de onze anos. 

O El Camino foi sim um grande responsável por trazer a banda para um "mainstream", digamos assim. Entretanto, tal disco gerou diferentes reações. Os fãs novos, que descobriram a banda nesse momento se encantaram com o som que misturava o Blues Rock com Indie Rock. De fato o disco é muito bom. O "problema" foi que muitos fãs antigos, acostumados com a raiz blueseira da banda não recebeu muito bem essa nova roupagem da banda. 

   E para falar um pouco do som original do Black Keys, o disco escolhido foi o terceiro da discografia de estúdio da banda: Rubber Factory.

    A estréia da banda veio com o The Big Come Up em 2002,sendo um disco sim essencial para dar boas vindas ao ouvidos do público, mostrando que o Blues Rock, perdido no final dos anos 80 apos a farofice do Hard Rock, ainda vivia. entretanto, a força máxima que Patrick e Dan poderiam colocar em suas canções não havia sido alcançada. 

   No ano seguinte, era a vez de ser lançado um dos melhores discos da carreira da banda, o ótimo Thickfreakness. O álbum ganhou uma força maior em relação ao material anterior. Guitarras mais pulsantes e um força e agressividade. Entretanto, a obra se perdia um pouco não se mostrando totalmente coesa e redonda. Apesar disso, Thickfreakness já apresentou um avanço musical da dupla, e uma obra digna de boas notas, como foi o caso com revistas e blogs especializados. 

   Enfim, em 2004 viria o disco que chegou para afirmar de vez a banda e a colocar em destaque na mídia. Rubber Factory consegue trazer um emoção bem profundo, digna do Blues, como em Girls Is On My Mind e na belíssima canção The  Lenghts, quanto a mistura poderosa com o Rock com toques garageiros em 10 A.M. Automatic e Grown So Ugly.  A dupla conseguia então trazer com este disco uma sonoridade na dosagem certa, sem soar tão inovador e moderno, nem tão tradicional, além de apresentar um desenvolver de faixas que prendem o ouvinte do começo ao fim. 

   O resultado disso foi a primeira presença de um álbum do Black Keys nas paradas da Billboard estadunidense, ficando na 143ª posição, além das excelentes críticas, com notas superiores a dos trabalhos anteriores. A partir daí, o nome do Black Keys ficava firmado com uma das melhores bandas da década, e um banda que marca por resgatar tão bem a sonoridade de um clássico. 

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Discoteca Indie Shoe: Daft Punk - Discovery (2001)



Fiquei pensando em que disco falar aqui na seção e por ser Dia das Crianças resolvi falar de um álbum que além de um clássico de presença obrigatória em sua discoteca (virtual ou física) também foi importante para a minha educação musical. É o excepcional  Discovery.

Esse disco já vai fazendo 11 anos de idade e parece que foi ontem que eu estava vendo os clipes de One More Time Aerodynamic na tevê. Creio que para a minha geração (que hoje estão na faixa dos 20 anos), ver clipes de animação toda colorida e de uma história similar aos desenhos animados, como são os das faixas anteriormente citadas, junto de uma música animada e contagiante nos fez marcar o nome de Daft Punk em nossas memórias desde aqueles tempos. Esse marco com certeza perdurou por um bom tempo, e muitos de nós não sabíamos do que se tratava tal banda, grupo, pessoa ou seja lá quem estivesse fazendo aquela música. 

Mais tarde ao reencontrarmos esse nome as memórias começaram a surgir, lembrando dos sinos da introdução de Aerodynamic e das roupas espaciais dos personagens dos clipes. Daft Punk começava então a fazer ainda mais parte de nosso convívio musical que perdura até hoje. 

No âmbito musical geral, o terceiro disco de estúdio do duo francês veio para afirmar e continuar a qualidade do seu predecessor, e disco de estréia, Homework, que havia sido altamente elogiado. Discovery acabou ganhando uma propoção enorme, sendo um marco na House e se tornou uma coletêna de hits tanto do estilo quanto da carreira do Daft Punk com as faixas One More Time; Aerodynamic; Digital Love; Harder, Better, Faster, StrongerFace to Face; Something About Us e Voayger. 

Discovery é o típico disco emblema. E neste caso um emblema não só da carreira de um artista, mas também um emblema musical de uma geração que começava a tomar seu rumo musical.


segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Discoteca Indie Shoe: The White Stripes - De Stijl (2000))




Estava eu escolhendo um disco para colocar aqui na sessão Discoteca Indie Shoe e achei interessante falar do De Stijl. Nisso lembrei que um amigo meu, o Bruno Carnovale (ex- @whitostripos e atualmente colunista do nosso parceiro Infinites Playlist) é praticamente um expert em White Stripes. Fiz o convite para que ele escrevesse e ele aceitou na hora!
Confira agora um pouco mais sobre esse disco incrível:


Por: Bruno Carnovale
O início da primeira década do século foi marcada por um movimento chamado 'Garage Rock Revival'. Várias bandas se destacaram, se tornando ídolos, mesmo tendo diferenças enormes dentro de seu próprio estilo, como o The Strokes e o Black Rebel Motorcycle Club. Mas, sem dúvidas, a banda que mais arrebatou a atenção do público musical foi a dupla americana The White Stripes.

Após se conhecerem numa lanchonete, John Anthony Gillis e Martha Megan White iniciaram o que seria um dos contos de fadas mais estranhos do mundo: Namoraram, casaram, John (que veio a adotar o apelido de Jack mais tarde) ensinou os compassos básicos da bateria a sua mulher, e decidiram gravar um CD, o homônimo 'White Stripes', de 1999. O nome da banda foi inspirado em uma famosa bala americana, conhecido por aqui como Fruitella.

Segundo o próprio Jack, o primeiro álbum foi considerado o mais cru possível, sendo 'direto ao ponto', sem rodeios desnecessários. Então o ano 2000 chegou, e com ele, o fim do relacionamento entre os dois. Mas sua banda manteve-se no auge, e lançaram então o que é, pessoalmente, o melhor disco deles: De Stijl. O disco foi todo gravado por fitas cassetes na sala de estar do apartamento de Jack, em Detroit, e soa um tanto mais requintado do que o primeiro álbum. Este lançamento dos Stripes foi intensamente inspirado no blues delta americano, tendo inclusive dois covers de cantores da época: 'Your Southern Can Is Mine', de Blind Willie McTell (um dos expoentes do violão de 12 cordas) e 'Death Letter', de Son House (o cantor preferido de Jack e a melhor música de todo o álbum). 

O disco mostra um duo potente, entrosado, com uma energia que se mostra agitada em algumas horas, como em "You're Pretty Good Looking (For a Girl)" e "Let's Build a Home", e também se mostra mais calma em alguns momentos ("Apple Blossom" e "Truth Doesn't Make a Noise").

Apesar de terem ganhado o mundo com seus sucessores, o De Stijl mostra um lado menos pop, e mais denso, intrínseco e em algumas horas, até sombrio, da dupla de Detroit.



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Discoteca Indie Shoe: OK Computer - Radiohead (1997)



Após o lançamento dos discos Pablo Honey, no qual continha o famoso hit Creep, e The Bends, com Just e a famosa Fake Plastic Trees que fez o Radiohead ser conhecido mundialmente , o próximo disco ganhava uma carga de expectativa pelo bom trabalho apresentado nos materiais anteriores. E OK Computer veio e cumpriu magistralmente a expectativa dos fãs e da crítica.

Considerado por muitos como o melhor álbum do Radiohead, OK Computer em seus dois discos apresenta  inúmeras múscas que se tornaram singles como Paranoid Android, Karma Police e No Surprises. Além dos singles, faixas como Airbag - que abre o disco um -, Exit Music (For a Film) que faz parte da trilha sonora do filme Romeu + Juliet (sim, a versão moderna com Di Caprio) e até mesmo a prescrição médica robotizada de Fitter Happier foram responsáveis por marcar ainda mais esse belo trabalho de Thom Yorke, Phil Selway e os irmãos Greenwood. 

Ganhando ótimas avaliações, como as notas 10/10 da NME e da Pitchfork, vendendo inúmeras cópias até os dias de hoje, OK Computer pode ser dado como o principal trabalho da banda e um dos melhores discos de rock de todos os tempos. Um disco para se ouvir, reouvir e nunca se cansar. 


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Discoteca Indie Shoe: Spiritualized - Sweet Heart Sweet Light (2012)



Mais uma vez, e não podia ser diferente, o Spiritualized lançou um disco brilhante. Com algumas faixas operísticas com longas durações e letras belas - principalmente para o final do disco - percebe-se o processo lento e orgânico pelo qual Jason Pierce passou para elaborar esse belo disco. Disco o qual resenhei para o Monkeybuzz, onde até me arrependi pós publicado em não dar uma nota melhor para esse belo disco.