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terça-feira, 3 de setembro de 2013

"Porque Blur é melhor que Oasis"



Anos 90. Internet discada, Beavis and Butt-Head, Michael Jordan, declínio do Punk, Spice Girls, *N-Sync (em sua versão "original"), Britpop, "Oasis é melhor que Blur", "Blur é melhor que Oasis".

Duas das principais bandas do movimento Britpop, e consequentemente duas das mais relevantes da época, acabaram caindo numa falsa rivalidade que colocava de um lado a banda dos irmãos Gallagher frente à banda de Coxon e Albarn. Formada por uma legião de fãs, as duas bandas eram um bom montante de atenção e consumo para inúmeros interessados, principalmente mídia impressa e gravadoras. 

É comum em meio a uma disucussão querer expor ao outro lado do debate pontos que fazem sua visão ser a verdadeira e relevante. No caso de uma banda, se fala de número de vendas de discos, público de shows, notas dadadas ao último disco lançado, número de membro de fã clube, número de camisetas e posters que se tem da banda, número, número. E era isso que gravadoras e revistas especializadas queriam: números - que de números de vendagens se tranformariam em números monetários - o objetivo final. 

Percebendo esse potencial de consumo, os bastidores midiáticos começaram a trabalhar. E eis que em 12 de Agosto de 1995, a capa de uma das mais conceituadas revistas de música, a NME, é estampada com a iamgem que dá início a este post. Dormir tranquilo e acordar com um novo rival, tendo de "odiá-lo" e agora tende de virar um defensor das cores de condado. Foi mais ou menso o que aconteceu com fãs de Blur e Oasis.

Nesta altura, o disco de estreia do Oasis, Definitely Maybe, acabava de completar um ano de vida, e a banda já se encontrava prestes a lançar o lendário (What's the Story) Morning Glory?,que sairia dentro de dois meses. Com o Blur, a situação era a mesma. Parklife havia saído fazia menos de cinco meses e The Great Escape já estava engavetado, pronto para ser lançado no início do mês seguinte a publicação da revista em questão. Todo esse panorama era favorável, portanto, também para as gravadoras.

Dizer que foi exclusivamente esse duelo artificialmente criado o responsável pelo estouro de vendas com discos mais de dois de platina para cada um dos lançamento do ano é com certeza um equívoco. E sem esquecer da NME, que faturou com venda de posters e várias edições com comparativos, texto colecionáveis sobre ambas as bandas. Porém, não há como negar que tal fator foi uma influência importante e que também acabou por solidificar a carreira das bandas que no momento estavam dando seus primeiros passos - mesmo que bem orientados e com consciência.

No geral a situação toda é algo de certo modo deprimente, mas nem um pouco espantosa. Sabemos de como os pauzinhos são mexidos por grandes detentoras de poder e coerção para se obter seus frutos. Aqui foi mais uma boa sacada observatória de potencial onde se viu duas bandas que possuíam potencial e qualidade e que com uma boa dose de polêmica criada resultou na criação de duas 'religiões" que se auto alimentavam. 

Oasis é melhor que Blur? Blue é melhor que Oasis? 

Tem Gorillaz. Pode ser?


sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Aposta: Melody's Echo Chamber



Quase todos vindos de Perth, Austrália(sim, terra do Tame Impala), com exceção da vocalista, originada de Paris, o Melody's Echo Chamber é um misto de psicodelia e shoegaze soando como um misto de seus conterrâneos com Ride, My Bloody Valentine entre outros do gênero.

A sublime voz da vocalista, Melody, dá ar fantasiosos no meio de uma áurea se ver espirais coloridos nas linhas de baixo marcantes e na guitarra cheia de efeitos psicodélicos.

A banda vem ganhando espaço seja fazendo show junto com o Animal Colective, saindo em tour com os Raveonettes pelos Estados Unidos, aparecendo na NME, ou com Melody discotecando em club de Nova Iorque. 


Só faltava mesmo mais material, pois pouco se tem da banda. Porém, esse problema está por acabar. O Melody's Echo Chamber já tem data de lançamento do seu disco de estréia para dia 25 de Setembro. 





sexta-feira, 16 de março de 2012

C86


                                                    

Inglaterra 1986.
País e ano de onde surgiu o que seria para muitos o startup do movimento indie.
A conceituada revista New Musical Express (mais conhecida como NME) fazia mais um de suas coletâneas de novas bandas do cenário britânico.
No passado, meados dos anos 70, artistas do mundo da música já haviam tentado consolidar-se independentes. Porém, as grandes gravadoras como a EMI obtinham muito poder de mercado e isso não foi viável no momento.
Juntamente com a C81, a C86 teve papel fundamental no início de selos independentes no mundo da música, utilizando-se do DIY (Do It Yourself) que fervia devido ao movimento punk tão aflorado nos anos 80.
A independência de gravadora foi fundamental, principalmente como meio de se evitar a Indústria Cultural. Essa se trata de intervenções na criação artística seja musical, ou não, por parte de gravadoras e emissoras para que o conteúdo se adéqüe a algum formato que vise maior rentabilidade e lucratividade para essas instituições. O que acaba interferindo na composição, fazendo com que artistas não estejam livres para compor o que lhes é de vontade.
Com guitarras mais melódicas, vocais intimistas ecoantes  (e horas mais agressiva),  sintetizadores, e  xilofones,  a C86 é tida por muitos como palco de nascimento do indie pop  e suas derivações, como o shoegaze. Bandas como Primal Scream e Pastels, que fazem parte do cassete, são duas das principais bandas a obter maior sucesso –  de Slowdive, Lush e Ride iriam se buscar inspirações, e mais futuramente (direta ou indiretamente) o Belle & Sebastian, Camera Obscura, Architecture in Helsinki , Silversun Pickups, Grouplove........
Foi através desse cassete que o movimento e o termo indie surgiram.  Que os selos independentes, que passaram pelo movimento grunge com a Subpop , ganharam mais força de mercado. E que o indie pop, dream pop, twee, shoegaze, e o nu gaze existem.
Ta aí, uma “simples” cassete com 22 faixas que possui uma importância enorme para o cenário fonográfico. Principalmente o indie.
Agora é só baixar a C86, colocar seu fone de ouvido, e enjoy. Por que além de ser importante, a C86 é também muito boa!
Abaixo a lista das faixas da C86 seguida de uma playlist da cassete
LADO A
1.       Primal Scream - "Velocity Girl"
2.       The Mighty Lemon Drops - "Happy Head"
3.       The Soup Dragons - "Pleasantly Surprised"
4.       The Wolfhounds - "Feeling So Strange Again"
5.       The Bodines - "Therese"
6.       Mighty Mighty - "Law"
7.       Stump - "Buffalo"
8.       Bogshed - "Run to the Temple"
9.       A Witness - "Sharpened Sticks"
10.   The Pastels - "Breaking Lines"
11.   Age of Chance - "From Now On, This Will Be Your God"
LADO B
1.       The Shop Assistants - "It's Up to You"
2.       Close Lobsters - "Firestation Towers"
3.       Miaow - "Sport Most Royal"
4.       Half Man Half Biscuit - "I Hate Nerys Hughes (From The Heart)"
5.       The Servants - "Transparent"
6.       The Mackenzies - "Big Jim (There's no pubs in Heaven)"
7.       Big Flame - "New Way (Quick Wash And Brush Up With Liberation Theology)"
8.       Fuzzbox - "Console Me"
9.       McCarthy - "Celestial City"
10.   The Shrubs - "Bullfighter's Bones"
11.   The Wedding Present - "This Boy Can Wait"